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Hérnia de disco precisa de cirurgia?

Foto do escritor: Marcela Tamiasso
Marcela Tamiasso
26 de jul.
3 min de leitura

É provavelmente a primeira pergunta que aparece depois de um laudo com a palavra “hérnia”. E a resposta curta incomoda um pouco, porque não é um sim nem um não.

A resposta é: na maioria dos casos, não. Mas quem decide isso é o seu médico, com o seu exame e o seu quadro na mão — não um artigo de blog. O que eu posso fazer aqui é te contar o que as evidências mostram, para você chegar nessa conversa sabendo o que perguntar.

Hérnia de disco é mais comum do que parece

Este é o dado que costuma surpreender: hérnias e protrusões discais aparecem com frequência em exames de imagem de pessoas que não sentem dor nenhuma. A prevalência de achados discais em pessoas assintomáticas aumenta com a idade, e em faixas mais avançadas é bastante comum encontrar alterações em quem nunca teve sintoma.

Isso muda a leitura do laudo. A hérnia aparecer na imagem não prova, por si só, que ela é a causa da sua dor. Ela pode ser — e também pode ser um achado que estava ali antes, silencioso.

O exame mostra estrutura. Ele não mede o quanto dói.

O que costuma acontecer com o tempo

Outro ponto que raramente é dito na hora do diagnóstico: o corpo tem uma capacidade real de reabsorver material discal herniado. Boa parte das hérnias diminui espontaneamente ao longo de meses, e a melhora dos sintomas costuma vir antes da mudança na imagem.

É por isso que a conduta inicial para a maior parte dos casos é conservadora: tratamento sem cirurgia, com reavaliação ao longo do caminho.

Quando a cirurgia entra na conversa

Existem situações em que a avaliação cirúrgica é urgente e não deve ser adiada. Procure atendimento médico sem demora se você tiver:

  • Perda de força progressiva na perna ou no pé — dificuldade de levantar o pé, de subir escada, de sustentar o peso.

  • Alteração para urinar ou evacuar, ou perda de sensibilidade na região entre as pernas. Isso é sinal de alerta e exige avaliação imediata.

  • Dor intensa que não responde a nenhuma medida ao longo de semanas, com prejuízo importante da vida.

  • Febre, perda de peso sem explicação ou dor após trauma importante — são situações que pedem investigação médica, e não fisioterapia de entrada.

Fora desses cenários, a decisão sobre operar costuma ser eletiva — ou seja, dá tempo de tratar, reavaliar e decidir com calma, junto com o seu médico.

O que a fisioterapia faz num quadro de hérnia

Não é “colocar o disco no lugar” — nenhuma técnica é capaz de fazer isso. O que a fisioterapia ortopédica faz é outra coisa, com melhor sustentação nas evidências:

  • Reduzir a sensibilidade, trabalhando os fatores que estão mantendo o sistema em alerta.

  • Recuperar movimento com segurança, em progressão dosada, respeitando o que o seu corpo tolera hoje.

  • Devolver força e controle ao tronco e aos membros, que quase sempre estão perdidos depois de semanas evitando movimento.

  • Tirar o medo de se mover. Depois de um laudo assustador, muita gente passa a se mover como se a coluna fosse quebrar. Esse medo, por si só, piora a dor e o descondicionamento.

  • Explicar o que está acontecendo. Entender reduz medo, e menos medo muda a experiência de dor.

O que não ajuda

  • Repouso prolongado. Ficar parado costuma retardar a recuperação, em vez de acelerá-la.

  • Repetir exames de imagem só para ver se a melhora “apareceu na foto” — a melhora clínica costuma vir antes. Quando repetir o exame é decisão do seu médico.

  • Tratamento inteiramente passivo, em que você só recebe e não participa.

  • Decidir sozinho, pela internet, se opera ou não. Inclusive por este texto.

O que levar para a consulta

Se você está com um laudo na mão e sem saber o que fazer, três perguntas ajudam muito na conversa com o médico:

  • Os meus sintomas combinam com o que apareceu no exame?

  • Existe algum sinal de alerta que torne a cirurgia urgente no meu caso?

  • Se der para tratar sem operar, por quanto tempo tentamos antes de reavaliar?

E do lado da fisioterapia, a pergunta é sempre a mesma: o que o seu corpo consegue fazer hoje, e o que a dor está tirando de você?

Se você tem algum dos sinais de alerta listados acima, procure atendimento médico agora — não fisioterapia, e não este WhatsApp.

Fora desses casos, se quiser conversar sobre o seu quadro, me chame no WhatsApp. A avaliação dura 1h30, no consultório do Setor Sudoeste.

Marcela Tamiasso · Fisioterapeuta · CREFITO-11 nº 187919-F

Especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica · RQE nº 1060261253

Mestre em Ciências da Reabilitação · Pós-graduada em Dor

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação individual. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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